Estilos Passados I Inspirações Futuras _ ilustrações para Revista Noivas de Portugal





[texto publicado na edição de Dez. 2005 na revista Noivas de Portugal]

O gosto pela beleza, a preocupação com as formas, linhas, volumes e cores são ideias partilhadas pela moda e pela arte interpretando a sociedade de uma forma muito peculiar. Cada período histórico teve uma imagem adequada ao estilo artístico da época - por isso se pode falar de um traje renascentista, barroco ou romântico...

Este inverno, os anos 50 entram de novo na moda evocando o mais recente passado romântico, mas os vestidos dos séculos XVIII e XIX continuam a ter uma aura de grande fantasia.


Romantismo do séc.XVIII

As linhas básicas das roupas do séc. XVIII já haviam sido estabelecidas nos últimos 20 anos do séc.XVII. A corte de Versalhes ditava a moda na Europa. O traje romântico é composto por saia e corpete. Este, encorpado com papelão ou barbatanas, é muito bordado ou enfeitado com uma série de laços de tamanho decrescente. A manga característica do séc. XVIII terminava no cotovelo deixando aparecer a manga da chemise com os seus folhos de renda. As saias eram usadas sobre paniers (arcos) em barbatana de baleia ou arcos de salgueiro e, por norma, abertas na frente em V invertido de forma a mostrar a anágua. Devido ao exagero dos decotes era habitual usar uma " peça de recato", lenço quadrado em seda dobrado e enrolado à volta do pescoço e encaixado no corpete.

Estilo Império

A Revolução Francesa marca um rompimento drástico com o passado. As mulheres passam a usar um robe en chemise, vestido de cintura alta e até aos pés sempre em tecidos muito leves e diáfanos. Às vezes o tecido era humedecido de forma a colar-se ao corpo imitando as pregas das roupas gregas, efeito, também, acentuado por um género de sapatilhas sem salto. A ausência de bolsos levou ao surgimento da "retícula", pequena bolsa que as mulheres transportavam onde quer que fossem.
Talvez em nenhuma outra época , até à década de 20, as mulheres tenham usado tão pouca roupa como no início do séc.XIX.


A Belle Époque

No início do séc.XIX, a cintura, que fora alta durante um quarto de século, volta à posição normal e, inevitavelmente, fica mais fina. Os espartilhos voltam ao guarda-roupa feminino. Por volta de 1880, a silhueta adapta-se à curva em S, típica da Art Nouveau: a cintura era extremamente apertada com um espartilho-corpete; as saias eram drapeadas horizontalmente e cheias na parte de trás com caudas surpreendentemente longas. Por norma, usavam-se cores e padrões diferentes no mesmo vestido, tendo por vezes o efeito de uma manta de retalhos.

Os Anos 20

Em 1910, houve uma mudança fundamental nas roupas femininas a que não é alheia a influência dos ballets russos, nomeadamente da peça Schéhérazade. Os corpetes rígidos foram finalmente abandonados. Após a 1ª Guerra Mundial, surge um novo tipo de mulher. O novo ideal erótico era andrógino: todas as curvas - atributo feminino admirado por tanto tempo - foram completamente abandonadas e como toque final as mulheres cortaram os cabelos a la garçonne. O talento proeminente e revolucionário da década de 20 foi sem dúvida Coco Chanel.


Os Anos 50

Paris caiu em 1940, mas a moda sobreviveu.No entanto, a guerra mudou irrevogavelmente toda a estrutura da indústria da moda e Paris teve que repartir o seu protagonismo com a Inglaterra e os Estados Unidos.
Reflectindo o desejo das mulheres europeias em substituirem o rígido corte masculino por curvas femininas e saias dançantes, Cristian Dior apresenta em 1947, o New Look que marcaria a silhueta dos anos 50. Inspirado nos modelos da década de 1860, o New Look consiste essencialmente em cinturas muito apertadas, saias muito amplas, corpos estruturados ( Dior chegou a colocar enchimento no busto e nos quadris para acentuar as curvas), sapatos altos e chapéus grandes.
Na sofisticada atmosfera parisiensedos anos 50, as mulheres deviam ter a aparência de quem dispende tempo para ter um aspecto perfeito. As sobrancelhas eram arqueadas e escuras, o baton dava aos lábios uma linha severa e o rímel era fundamental. Peles, cashmeres, mohairs e jóias eram de extrema importância. O luxo predominava.





Bibliografia
Laver, J., Costume and Fashion: a concise history; 7ª edição, SP,2003





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